Durão Barroso não esquece Portugal ...
O ex primeiro-ministro e actual presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso não quis deixar de exprimir a sua opinião sobre o tão candente tema do défice orçamental. Num breve apontamento difundido pela TSF afirmou "é necessário manter o esforço de consolidação orçamental feito nos anos de 2002 e de 2003, depois de Portugal ter sido o primeiro país a violar o PEC" e acrescentou "Portugal agora tem alguma margem de manobra para proceder a esse esforço de ajustamento orçamental, porque o país já não se encontra em recessão e porque o próprio PEC foi recentemente flexibilizado".
Estas declarações suscitam-me dois comentários. Em primeiro lugar, parece-me que seria mais curial que o ex-primeiro ministro mantivesse sobre este assunto uma certa reserva. Precisamente porque foi primeiro ministro do país até há menos de um ano e abandonou o posto, para o qual tinha sido eleito, nas condições em que o fez. Em segundo lugar, o conteúdo das declarações faz juz à habitual "habilidade dialética" dos tempos do MRPP. É que se porventura é verdade que existe agora alguma fexibilidade, o país tem agora uma taxa de desemprego que se aproxima do dobro da que existia quando o Durão Barroso chegou ao poder, o défice aumentou significativamente não obstante "esforço de consolidação orçamental feito nos anos de 2002 e de 2003" e os muitos milhões de receitas extraordinárias entretanto mobilizados pelo seu governo e, passaram 3 anos sem que nenhuma das causas do défice tenha sido realmente tratada.
Ainda estou a tentar compreender onde estão as tão propaladas vantagens que para Portugal advém de ter José Manuel Barroso como presidente da Comissão Europeia. Para já só encontrei uma - a sua substitução na função de primeiro ministro de Portugal!

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